Lendas e tradições

Tradições com mais de 40 anos

A seguir ao carnaval, e durante a quaresma, raparigas e rapazes, enchiam caçoilas velhas ou penicos velhos, com cacos velhos, e iam sorrateiramente, deitá-los  nas casas que tivessem as portas abertas. Deitavam os cacos e fugiam para não serem vistos nem identificados pelas  pessoas a quem faziam a partida, pois estas ficavam furiosas com a brincadeira.

Outra brincadeira de Carnaval...

Também por esta altura, os rapazes iam para a mata do escravote, pela calada da noite, por volta da meia noite, buzinar ou deitar pulhas, soprando funis e falando alto. O som das suas vozes, ecoava pelos Casais onde as pessoas eram confrontadas a ouvir os ditos dos rapazes. Estes escondiam-se num saibreiro e falavam tão alto quanto podiam: diziam mentiras só para irritar as moças e naturalmente por despeito ou ciúmes, daquelas que não lhes passavam cartão.

Entre outras coisas, diziam:

•    Então: "ó fulana, tu andas a namorar com o fulano?"

•    "Ó sicrana, tu julgas que a gente não sabe, que tu andas com o sicrano?"

•    "Nós andámos a espreitar e vimos isto e aquilo..."

Inventavam mentiras e outros ditos mais picantes e até ofensivos à dignidade das moças. Evidentemente que esta brincadeiras  não agradavam a ninguém nem a elas nem aos seus pais.

As parvoíces eram por vezes tão indecorosas que alguns pais chegavam a chamar a guarda para prender os folgazões malcriados, que entretanto fugiam, chegando a magoar-se, quando fugiam pois caíam em buracos.

O regedor da altura, proibiu esta tradição, que era engraçada para os rapazes da altura, mas era mal aceite pela população.

A Bênção das Cabras

Durante os festejos em Honra do Divino Espírito Santo (há dezenas de anos atrás), era tradição que à segunda-feira, algumas pessoas trouxessem os seus rebanhos de cabras ou ovelhas, pondo-as a percorrer à volta da Capela do Espírito Santo, (em agradecimento por terem escapado às desgraças ocorridas com as pestes) e pedindo protecção ao Divino Espírito Santo.

Juntavam-se vários rebanhos, que iam andando à volta da Capela, até se formar uma corrente homogénea, pois à terceira volta, juntava-se a primeira cabra com a última.

Esta moda caiu, entretanto em desuso.

Lendas...

A Moirinha da Oureça

Conta-se que, no lugar de Oureça, existe um palácio subterrâneo habitado por uma linda senhora: A moirinha. Em dias desanuviados, saía para estender, ao sol, o seu maravilhoso bragal, cuja alvura extasiava os habitantes da localidade.

A Moira do Escravote

Fala-se da moira do escravote que aparecia na mata do Escravote, debaixo do seu lapão, não trazia roupa mas, grossas, largas e fortes moedas de oiro para a soalheira do lapedo.

Cruz da Costa

Diz a lenda que foi uma cruz mandada fazer por causa de um surto de uma peste terrível que em tempos houve não só no Concelho de Coimbra  mas, em todo o país.

Casas houve que ficaram completamente desabitadas por tantos habitantes terem morrido, vítimas daquela doença. Povoações inteiras ficaram desertas, porque os moradores não resistiram ao assustador mal, que se transmitia através do ar empestado.

Até os médicos recusavam-se a prestar assistência aos doentes, com receio de serem contaminados.

A terrível peste ceifou tantas pessoas e animais que o povo de Eiras, munidos da sua Fé e Devoção, implorou a protecção do Divino Espírito Santo e, segundo consta, nenhum dos seus habitantes foi atingido.

O gado que passava para lá da Cruz da Costa, sucumbiu empestado com a terrível  peste. Para cá da Cruz da Costa, nada aconteceu, nem pessoas nem animais foram atingidos.

Desde então, muitas pessoas, no dia 3 de Maio, dia da Bela Cruz, fazem uma romaria à Cruz da Costa, agradecendo o facto de a peste não os ter atingido, levando consigo um farnel para lá merendar.

Muitos anos atrás, os grandes senhores de Eiras (entre outros, o Professor Vaz Serra), ofereciam as merendas a todas as pessoas que iam merendar naquele local, pessoas essas que se vestiam com capins e ervas atadas à cintura, misturando flores campestres e cantavam cantigas populares.

Algumas pessoas ainda hoje, naquele dia, fazem cruzes com canas, enfeitadas com flores campestres, folhas, rosas e outras e, no dia seguinte, antes d nascer do Sol, vão colocar essas cruzes nas suas hortas com o intuito das suas culturas serem abençoadas e terem boa e muita produção.