Resenha Histórica

A união de freguesias foi constituída em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, pela agregação das antigas freguesias de Eiras e  São Paulo de Frades.

Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 2 de fevereiro de 2013.

EIRAS

Eiras é uma extinta freguesia do Concelho de Coimbra, integrada na zona urbana desta cidade, com cerca de nove quilómetros quadrados de área e tem aproximadamente 13.000 habitantes. Tem com orago S. Tiago e está situada na parte norte da Cidade, desde a Ribeira de Coselhas a sul, até aos limites das Freguesias de Brasfemes, Santa Cruz e S. Paulo de Frades. É atravessada de nascente para poente, pela Ribeira de Eiras, principal curso de água da freguesia. Actualmente a freguesia é constituída por dezenas de lugares. Uns que remontam aos primórdios da localidade, e outros que se foram formando ao longo dos tempos, dos quais destacamos: Eiras, Casais de Eiras, Redonda, Murtal, Cordovão, Vilarinho de Baixo, Planalto do Ingote, Monte Formoso, Arco Pintado, Padrão, Loreto (incluído a estação de Coimbra B), Casal Ferrão, Relvinha, Bairro do Brinca, Bairro de S Miguel, Ponte de Eiras, Ribeira de Eiras, Quinta de Santa Apolónia e Gorgulão.

As primeiras notícias de Eiras, remontam ao tempo dos romanos, 641 a 643, cuja presença era patente nalguns marcos quilométricos existentes na antiga estrada romana que, passando por Eiras, ligava Coimbra a Santiago de Compostela. O primeiro foral foi atribuído por D. Afonso Henriques, no princípio do segundo terço do século XII, quando da criação da paróquia de Santa Cruz, que a dotou com a Herdade de Eiras. Posteriormente D. Dinis, em 1306, chamou novamente à coroa a localidade de Eiras, para mais tarde a trocar, pela terça parte da Vila de Aveiro, pertença do Convento de Celas.

Eiras era uma povoação essencialmente agrícola, aproveitando para tanto os terrenos férteis das margens da Ribeira de Eiras para cultivo de produtos hortícolas, que eram transaccionados no mercado de Coimbra ou em feiras e mercados das regiões vizinhas, como Cantanhede, Mealhada, Mortágua, etc. Outras importantes culturas eram o milho, (nas milharadas) e a vinha e a oliveira (nas encostas e simultaneamente com outros cereais como sejam o trigo, cevada e aveia). Para atender à produção de azeite que na região se desenvolvia, chegaram a laborar simultaneamente em Eiras, quatro lagares.

Da sua história fazem parte também os anos em que esteve na dependência do Mosteiro de Celas, proprietário de imensos bens nos arredores de Coimbra e noutros concelhos vizinhos. Os monges de Celas, chegaram mesmo a construir em Eiras um celeiro (do qual ainda restam vestígios), para guarda dos cereais que recebiam das terras que tinham arrendadas.

No século XVI, deveria ser já uma povoação importante, pois a pedido real, foi solicitado que fossem coligidos os documentos e apontamentos necessários, afim de lhe ser passado foral. Por várias vicissitudes, tal nunca veio a acontecer. Sabe-se, isso sim, que pelas suas características de tranquilidade e de beleza natural, foi muitas vezes escolhida pela fidalguia, para descanso sazonal, com destaque para o Rei D. Dinis e sua Esposa, Rainha Isabel de Aragão, que ali passavam alguns períodos de descanso das suas tarefas, no local, ainda designado por Paço.

Ainda hoje, no núcleo central da Freguesia, verificando a traça de alguns edifícios, se podem encontrar testemunhos, da atractividade exercida junto da classe mais elevada da sociedade, que aqui construía as suas casas de repouso.

Devido a esse estatuto de lugar privilegiado, foi Vila e Sede de Concelho, entretanto extinto por decreto de 6/XI/1836, tendo na data sido integrada no concelho de Coimbra.

TOPÓNIMO

A população total ronda os 18.000 habitantes. Para estes números muito concorreu o espectacular crescimento da Freguesia no período 1971-1981, à semelhança do que ocorreu no país. Segundo os especialistas em demografia este facto teve a sua génese na quebra da emigração e o afluxo de cidadãos nacionais e estrangeiros ao nosso país. Na realidade, a um clima político mais favorável associou-se um movimento de regresso dos emigrantes portugueses vindos da Europa, América e ex-colónias portuguesas, bem como o surgimento de migrações internacionais que passaram a incluir Portugal na sua rota, como país de destino. No caso da União da Freguesia de Eiras e São Paulo de Frades, concorreu, decisivamente, para esta tendência de crescimento demográfico, o desenvolvimento habitacional e humano trazido pelos novos bairros da freguesia.

SÃO PAULO DE FRADES

Na extinta freguesia existiu um importante mosteiro da ordem de Cister, que teve origem nas doações feitas em 1220 por Fernando Peres. O mosteiro de São Paulo de Frades, ou de Almaziva, albergava desde o século XII uma pequena comunidade religiosa, possivelmente beneditina. Cerca de 1220 Fernando Peres, notário da chancelaria de D. Sancho I e chantre da Sé de Lisboa, doou à Ordem de Cister o lugar e a capela de São Paulo. Assim, por bula do Papa Honório III, datada de 1221, a comunidade monástica de S. Paulo de Almaziva tornava-se o 17º mosteiro cisterciense português. Na centúria de Trezentos a estrutura do mosteiro teve reformas, e no século XVI, sob o governo do abade Frei Jorge, foram feitas novas obras em Almaziva. Depois de 1514 foi construída a nave principal, com abóbada de madeira, e no ano de 1539 ficava edificado o coro alto do templo. Em 1552 o monarca D. João III pedia ao papa Júlio III que transferisse os bens de S. Paulo de Almaziva para o novo colégio cisterciense de Coimbra, e desta forma, no ano de 1555, o mosteiro era anexado ao Colégio do Espírito Santo. A partir do século XVII tornava-se a igreja paroquial de S. Paulo.

Desta forma, o edifício de São Paulo de Frades apresenta uma estrutura indicadora de construções de diferentes épocas. Da área monacal construída no século XIV, como a torre do mosteiro, ou a sala do capítulo, celas e dormitório, nada resta actualmente, uma vez que os edifícios do mosteiro foram reconstruídos no final do século XVI, como indica a data 1595 gravada no brasão de Cister que foi colocado no topo do corpo principal. A igreja possuí uma estrutura chã, estando a fachada, dividida em três registos. No primeiro, antecedido por escadaria, está aberto o portal rectangular, enquadrado por pilastras e encimado por frontão interrompido. O segundo registo encontra-se composto por três panos, sendo o central delimitado por pilastras e enquadrando um nicho com a imagem de S. Bernardo, fundador da ordem. Os panos laterais são rasgados por janelas quadrangulares e rematados por beiral. O último registo apresenta a torre sineira delimitada por pilastras angulares. As fachadas laterais e da cabeceira são compostas por contrafortes, tendo a última uma cornija com modilhões. 

No interior a igreja é de nave única, coberta por tecto de madeira dividido em caixotões, antecedida por coro alto com abóbada de combados, iluminada por quatro janelões em arco de volta perfeita e tendo do lado do Evangelho um púlpito de pedra e do lado da Epístola um nicho com uma imagem da Virgem e o Menino, mandada fazer por um dos monges da comunidade de Almaziva cerca de 1448. O arco triunfal da capela-mor é ladeado por altares colaterais de talha, erigidos na primeira metade do século XVIII. A capela-mor está dividida em dois tramos, cobertos por abóbada de berço, com janelões no segundo tramo e um retábulo seiscentista de talha dourada e policroma com trono, com imagens de S. Bernardo e S. Paulo. É revestida por azulejos sevilhanos do século XVI, num programa decorativo que podemos considerar um reflexo da encomenda de D. Jorge de Almeida para a Sé Velha de Coimbra, que com a introdução de azulejos no espaço da capela-mor "abre caminho a uma das constantes mais significativas do período barroco" (MOURA, Carlos A. Louzeiro, 1998, p. 330). 

TOPÓNIMO

O topónimo actual, que se deve á antiga e importante presença monástica, substituiu o de Almaziva, relativo a uma época mais remota, em que moçárabes, mouros e cristãos disputavam a região.